• 10Mar
    Categories: Guests Comments: 1

    Inaugurando a sessão de guests, trazemos ao CIGANO.ORG o dj Punkyhead do núcleo Krek e do selo Anarchyinthefunk além de nos conceder uma deliciosa entrevista fez também um mix tape exclusivo pro CIGANO.

    Guests 001 – Mix Tape – DJ Punkyhead (breakbeats)

    Tracklisting:
    1. Ctrl-Z . The Tunnel – Hardcore Beats
    2. Backdraft . Popcorn – Passenger
    3. Shimon & Nixon . White Noise – Finger Lickin’
    4. Backdraft . Funk Rock – Passenger
    5. Ed Solo & Skool of Thought . Babylon Breaks – Against the Grain
    6. Influenza . Anomaly – Epidemic

    download
    (para baixar o set mixado clicar download, com o botão direito do mouse selecione a opção, salvar como)

    Interview:

    Punkyhead, conte-nos como tudo começou, quando começou a tocar, e quais foram suas influências musicais ?

    Antes de qualquer coisa, agradeço o espaço e a oportunidade. Sou amante de boa música desde sempre, ouvia muito rock e algumas coisas que bebiam do hip hop, acho que como todo DJ freqüentava festas e raves, e em meados de 96/97 comecei a tomar gosto por sons mais alternativos criados na época e que vieram a se chamar “big beats”, uma mistura louca de beats quebrados com baterias quase acústicas e uma infinidade de influências que iam do dub/reggae ao rock psicodélico dos anos 70. A partir daí comecei a pesquisar sons, adquirir material próprio, comprar equipamentos de segunda-mão e me apresentar em festas de amigos. Acho que isso foi o ponto crucial, daí em diante gradual, aquela boa e velha busca incessante pelo mundo da música também contribuiu muito.
    Como influências cito artistas como Jack Dangers, Afrika Bambaataa, Death In Vegas, Alec Empire, Kurtis Mantronik, Front 242, DJ Icey, Monkey Mafia, Cut La Roc, Beastie Boys, Richard David James, Sex Pistols, Run DMC, Freestylers, e mais recentes como Aquasky, Freq Nasty, Drumattic Twins, Rennie Pilgrem e Backdraft.

    O que você acha da atual cena brasileira de batidas quebradas (música eletrônica) ? Algum ponto positivo e negativo?

    A cena eletrônica vem se reciclando como todas as outras cenas, porém ultimamente essa reciclagem se tornou quase que automática, ouve se dizer uma infinidade de gêneros e subgêneros que pouco os distinguem, as festas temáticas praticamente foram extintas, exceto alguns clubes que ainda mantém em sua programação. Isso se deve muito mais à exigência local da cena do que um apelo tendencioso. A cena de batidas quebradas (funk, drum’n’bass, electro, dubstep, hip hop…) se manteve viva durante esses anos no Brasil por insistência e persistência de organizadores, DJs e principalmente amantes e entusiastas do estilo. Pouco é investido e acreditado, nomes como Camilo Rocha, Nedu Lopes, Fabio F, Marky, Andy entre outros, levantam a bandeira, e festas como KREK, Quebrada, ElectroBomb, BreakOut, Unbreakable, Tranquera, Subgrave, Boogie Monster fazem ou fizeram a alegria de muitos e que com certeza fazem falta para o movimento atual. É muito bom ver um nome nacional entre os melhores do mundo representando toda uma cena, por outro lado é triste saber que isso acontece e ver essa cena sendo levada apenas por formadores de opinião e pouco sendo investido, espero que isso tome um outro rumo, e que pessoas possam abrir mais os olhos e os ouvidos para outros sons sem ter medo de digerir ou não.

    Você acredita em tendências em relação a música eletrônica? Cito isso, pois sempre existe um período em que as pessoas tendem a escutar uma determinada vertente da música eletrônica, como House, Psychedelic Trance ?

    Acredito em tendências sim, são movimentos ditados por pessoas que se sentem no direito de definir o que será mais lucrativo ou não no próximo verão, isso existe, é fato, é capitalismo. A música eletrônica não deixa de ser música só porque não é feita por um “músico” (vale citar que muitos djs e produtores são músicos ou musicistas), e dentro disso temos os sons comerciais e os conceituais, todos tem livre arbítrio de escolha. Sempre digo que precisamos muito das influências para nos direcionar ao que procuramos, é como um filtro. Sem elas ficamos perdidos, e é exatamente isso que está acontecendo, conflitos de personalidades sonoras, acredito em minha sobriedade atual que se o som é bom hoje duas semanas depois continuará sendo, independente do estilo.

    Tem algum produtor brasileiro que vem se destacando na sua opinião no cenário de batidas quebradas ? Você acredita que ainda rola o preconceito do produtor brasileiro apenas ser reconhecido por aqui, depois de ter despontado no Exterior ?

    Temos ótimos produtores no Brasil, nomes que nem chegaremos a conhecer que se escondem por trás da mesmice que se tornou o cenário nacional. Hoje, com a variedade de opções em plataformas e softwares direcionados à home studio, produção musical e com interfaces básicas para criação, a criatividade se sobressai. Em parceria com os DJs e produtores Marcelo K2 e Br Groove criei o “Anarchy In The Funk” ( www.myspace.com/anarchyinthefunk ) primeiro label nacional destinado às batidas quebradas, com influências do electro de Detroit ao breakbeat funkeado europeu, a proposta é criar um ambiente único com visões diferenciadas, com lançamentos de artistas renomados, novos talentos e remixagens. Além dos já citados, temos nomes no cenário que colhem frutos com ótimos trabalhos, o MKM&GBX que fizeram uma turnê pela Europa recentemente, Fabio F, Nepal (Apavoramento Sound System), Nego Moçambique, Julião, mas ainda existe o reconhecimento pós exterior, talvez seja o fato de que poucos selos existam no Brasil e isso contribui para as turnês prematuras, se é que podemos chamar assim. Mas isso não tira mérito do artista, mas contribui ainda mais para o descaso e a falta de interesse para com os DJs e produtores nacionais. Cachês fora da realidade social, empreendedores metidos a sabichões apoiados por uma leva de entusiastas sem destino e por aí vai, tudo isso contribui!

    Conte-nos um pouco sobre o sucesso da noite KREK na KRAFT em Campinas ? Podemos dizer que é atualmente uma das maiores noites de batidas quebradas do Brasil ?

    A KREK é uma das noites mais animadas do KRAFT e da região, nela podemos encontrar techno lovers, houseros e o pessoal do hip hop, resumindo, é a noite que uni tribos e opiniões, isso acontece justamente pelo excesso de influências sonoras que a noite proporciona, é uma noite rica. Fazemos tudo com muito amor, aproveitamos o ambiente amistoso para proporcionar uma noite gostosa com o que tem de melhor no cenário.
    Considero o projeto entre as maiores festas do gênero no Brasil, eu não tenho dúvida, além disso, é a mais antiga em atividade com 4 anos sem perder o foco, não parece muito, mas para quem conhece o “mercado” sabe que os projetos vem e vão como a própria noite. Não encaramos a KREK como mais uma noite que acontece dentro da programação do clube, é uma festa, uma festa mensal que muitos esperam ansiosamente pelo dia. Queremos educar as pessoas, passar novos conceitos, novos sons e tudo isso sempre se encaixa com algumas batidas desconcertantes e um público receptivo. Méritos ao próprio clube que cedeu o espaço e acreditou no projeto, não esquecendo dos promoters que sempre dão o melhor de si, e claro os artistas que por lá passaram e agregaram muito ao KRAFT e à KREK, só para citar alguns; Afrika Bambaataa, Godfather, Assault, Jerome Hill, Disco D, Marky, Andy, Phantasma, Luiz Pareto, Camilo Rocha, Nepal, Nedu Lopes, Murphy, Fabio F, Frajola, Charlie B, Nego Moçambique, Marcelo K2, Bart, Julião, George Actv, Magal, Schild… entre outros!!!

    Obrigado, pela entrevista e de bonus qual o seu TOP 5 que nunca saí do seu case ?

    Top 5 que carrego atualmente no case mas nem sempre os toco…..rs….tipo, carta na manga!

    Care In The Community – Badness – Supercharged
    Factor E – SwingPunk (Aquasky vs Materblaster Remix) – Low Phat Recordings
    Backdraft – Funk Rock – Passenger
    Quest – Make It Real – Cyberfunk
    Drumattic Twins – Rock Steady – Finger Lickin’ Records
    “é preciso viver o Blues…” T-Bone Walker,
    (se referindo objetivamente ao que era preciso para se tocar os Blues).
    Reflitam!!!

    PUNKYHEAD
    www.punkyhead.com.br
    www.myspace.com/anarchyinthefunk

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